Prefeito quer dar aumento e gratificação a secretários

Após uma divulgação seletiva à imprensa da reforma que propõe fazer na máquina administrativa, o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Victor Coelho (PSB), deixou no anonimato uma despesa criada de R$ 1,9 milhão, em quatro anos (considerando os demais benefícios trabalhistas), com o aumento dos salários dos secretários municipais e a criação de gratificação para aqueles que moram a mais de 100 km do município.

O projeto de lei já está na Câmara Municipal e irá para tramitação das Comissões Permanentes (Foto: Divulgação/PMCI)

Um dos projetos reajusta o salário atual de, aproximadamente, R$ 7 mil, para R$ 8.938 para 19 secretários. O impacto na folha de pagamento, ao mês, representa R$ 36.822. O projeto de lei já está na Câmara Municipal e irá para tramitação das Comissões Permanentes pertinentes ao tema.

Outro projeto reduz à 60% a gratificação dos servidores efetivos que ocupam cargos comissionados – antes de recebimento integral do salário estipulado ao cargo.

Na sessão ordinária desta terça-feira (11), os vereadores não aprovaram o regime de urgência para votação da reforma administrativa e sobre a contratação temporária; essas matérias serão avaliadas minuciosamente. Sem contar, que não há satisfação dos vereadores diante do que foi apresentado.

“Não é o momento. Vivemos uma recessão no país. Por que dar aumento ao pessoal de fora da cidade? Temos profissionais capacitados aqui. Não há necessidade de trazer gente de fora para onerar mais os cofres públicos, ainda mais com o funcionalismo querendo e precisando de reajuste”, disse o vereador Silvinho Coelho (PRP).

“Será que em Cachoeiro não teria esses profissionais, já que isso descartaria os R$ 1,7 mil de gratificação? Entendo que ser for dar um choque de gestão, com pessoas de musculatura intelectual, isso seria a contrapartida para o aumento – mas não vimos nada ainda. Este projeto será debatido e analisado”, falou o edil Allan Ferreira (PRB).

 

Servidores

Entre os servidores, a insatisfação é ainda maior. “Estou em estado de choque. Não digo que os secretários não são merecedores. Mas, nós servidores, também temos importância dentro da prefeitura. Cadê a valorização daquele que limpa a mesa para o secretário trabalhar, daquele que carrega documentos importantes, que atende a população? Nós servidores estamos levando de casa nossa água, café e até o papel higiênico”, disse a servidora Natalia Dalvi.

“Por que para nós, até agora, foi dado R$ 32 de aumento de tíquete, valor que não se compra nem uma caixa de leite? Espero que surjam novos fatos no quais estejamos inclusos. Se nós, efetivos, mudarmos para a capital teremos ajuda de custo?”, indagou a funcionário pública municipal Tatiana San’Ana.

A reportagem fez contato com a assessoria de comunicação da prefeitura para saber o porquê de a informação sobre o reajuste a secretários não constar nas informações enviadas na segunda-feira para a imprensa, mas não obteve retorno.

 

 

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