Médicos denunciam falta de material

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Médicos e funcionários da Santa Casa fizeram manifestação na manhã desta segunda-feira em frente ao pronto-socorro da instituição contra falta de repasses de verbas do governo do estado.

Segundo os profissionais, o hospital possui dívida de R$ 35 milhões com fornecedores e isso já começa a comprometer o atendimento à população, com a falta de materiais de uso básico, como luvas e antibióticos.

De acordo com os médicos, faltam tubos para anestesia, fios cirúrgicos, luvas, almotolias – tubo plástico usado para descontaminação, antibióticos diversos, materiais para manutenção e execução de hemodiálise, entre outros.

Até bolsa para recolher sangue está faltando. A funcionária pública Carla Laje Duarte, 41, disse que chegou ao banco de sangue do hospital para fazer a doação e precisou retornar, por falta do material. “Disseram que não há prazo para voltar a ter a bolsa”, disse.

“Faltam materiais básicos da CTI, do Centro Cirúrgico e do Pronto Socorro. Nosso objetivo com esse manifesto é que o governo reveja os cortes e tenha noção real do perigo que a população do sul está correndo”, ressaltou o chefe do serviço de cirurgia vascular, Elias Garcia.

De acordo com Elias, o governo do estado cortou em 20% os repasses aos hospitais. Além disso, explicou, há dois anos não há reajuste do valor repassado, enquanto a cada dia aumenta o número de pacientes atendidos.

Outro agravante, ressaltou o médico, é que há atrasos nos repasses, gerando multas e juros junto aos fornecedores.

O coordenador da cirurgia geral, Alcides Barata Filho, destaca que a Santa Casa é o único de porta abertas para atender urgência e emergência. “Se me chegar um baleado hoje não sei se haverá material adequado para atendê-lo. Os médicos vão operá-lo, mas terão que improvisar. Mais tarde, será prejuízo para ele”, disse.

O diretor clínico do hospital, Eurípedes Mello, afirma que não há previsão de fechar as portas, mas existe risco. “A Santa Casa nunca quis parar, mas se isso ocorrer não terá condições de voltar nesta atual situação”, alertou.

Governo diz que repasses estão em dia

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou, por meio de nota, que os repasses estão em dia e que os pagamentos são feitos de acordo com o envio das notas ficais. Os convênios são feitos com base na série histórica de produção de cada Hospital.

A Sesa explicou que repassa, todo mês, um valor fixo e outro valor que é variável, de acordo com o cumprimento de metas físicas e de qualidade.

Ainda, segundo a secretaria, o Espírito Santo é o terceiro estado que mais investe em Saúde com recursos próprios. Grande parte dos recursos é utilizada para complementar a tabela SUS, que é insuficiente. O Estado possui contrato com hospitais filantrópicos, que também recebem recursos federais.

Apesar do que garantem os médicos, a Sesa ressalta que não houve corte no orçamento da Saúde. “O orçamento da pasta cresceu em R$ 450 milhões porque a preocupação do Estado é manter os serviços essenciais da Saúde. Estamos num processo de reorganização das contas e é preciso austeridade. É necessário observar o comportamento da economia para aumentar o investimento e poder honrá-lo”, diz a nota.

Santa Casa diz que problema se arrastada desde 2014

A direção da Santa Casa informou que a manifestação foi feita pelos médicos da instituição, mas que reconhece que o movimento é legítimo, pois é feito para melhorar o atendimento da população.

A direção esclarece, no entanto, que o problema citado pelos médicos se deve à insuficiência e a falta de regularidade no repasse do serviço contratado pelo Governo do Estado, problema que já se arrasta desde 2014.

A Santa Casa informa ainda que desde 2014 tenta uma solução para o impasse junto ao Governo do Estado, mas não obteve retorno financeiro para solucionar o problema.

Apesar da manifestação, os serviços de urgência e emergências do hospital continuam funcionando normalmente.

Fonte: Jornal Fato

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